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Iluminação Natural

Elyzia Rodrigues | 17.2.15 | | | | |
É muito comum vermos edificações terem como única forma de iluminação de seus ambientes a iluminação artificial.

Foto: Casa Abril

Não é porque a quantidade de janelas seja insuficiente, muito pelo contrário, muitas vezes as janelas são enormes e o sol entra diretamente no ambiente causando ofuscamento em quem o utiliza, além de produzir bastante calor.

Para minimizar esses impactos, as janelas estão constantemente fechadas por cortinas, blackouts ou persianas, porém, o uso dessa estratégia faz o consumo de energia aumentar, pois as lâmpadas ficam todo o tempo acessas para iluminar o ambiente e o ar condicionado também para amenizar o calor.

Foto: Rio Renovável

Ora por terem sido construídas sem a orientação de um bom profissional de arquitetura, ora por não terem sido projetadas com o devido cuidado, o fato é que a iluminação natural é item fundamental a ser pensado para quem vai projetar ou construir.

Uma edificação em que a iluminação natural é aproveitada de forma coerente, maximizando seu potencial e minimizando seu impacto pode criar um ambiente extremamente agradável de permanecer.

ILUMINAÇÃO ZENITAL
Uma das formas de se aproveitar a iluminação natural é fazendo uso de vãos na cobertura, o que chamamos iluminação zenital.

Foto: Casa Mineira

Ela pode ser uma grande aliada para iluminar adequadamente ambientes internos, mas é preciso certo critério, pois como já falado, os vãos permitem a entrada de iluminação, mas também de calor.

 Esse tipo de iluminação é ideal para a distribuição de iluminação em ambientes de grandes dimensões e com pé-direito duplo e pode ser um grande aliado na estética do ambiente.

Foto: Eco Desenvolvimento

A área de entrada de luz natural não deve ser superior á 10% da área de piso, pois corremos o risco de aumentarmos a temperatura interna da área. 

A iluminação zenital compreende vãos com fechamento em material translúcido criados na cobertura para gerar entrada de luz através dele. 

Seu uso é muito comum em galpões industriais, mas também podem ser encontradas em shopping center e residências.

Foto: Amig Engenharia

Oferece maior uniformidade de iluminação, em alguns tipos pode ocorrer ventilação natural, através do efeito chaminé.

A desvantagem desse tipo de iluminação se deve a dificuldade de controlar a intensidade da luz que entra por ela, porém, quando feita por um profissional especializado pode ser sanada facilmente.

Foto: Casa e Jardim

Seu uso em áreas de pouca altura e dimensões reduzidas deve ser bem pensado.

Sua manutenção também deve ser constante, por estar diretamente sujeita a intempéries, seu custo é alto, pois necessita de um bom sistema de vedação e as faces translúcidas devem ser bastante resistentes para suportar constante limpeza.

A iluminação zenital pode ser dos seguintes tipos:

Shed – Caracteriza-se por uma abertura única orientada no telhado no sentido Sul, ou seja, a luz solar que entra por ele será indireta. 

Foto: ArchDaily Brasil - Nelson Kon
Hospital Sara Kubitschek - Salvador - BA
Arquiteto: João Figueiras Lima  - 1984

Lanternim – Caracteriza-se por ser um vão com duas faces opostas de entrada de luz, com orientação no sentido Norte-Sul.


Clarabóia – Caracteriza-se por ser um vão em posição mais horizontalizada, sua manutenção é mais complexa e  a questões térmicas devem ter atenção redobrada.

Sua iluminação não é homogênea ao longo do dia.

Foto: Casa e Jardim

Clarabóia tubular – Caracteriza-se por um vão em forma de semiesfera que conduzem a iluminação natural para dentro do edifício através de tubos reflexivos. 

Foto: Solatube - Aqualung

Átrio – Caracteriza-se por ser uma cobertura translúcida muito utilizada em edificações de grande altura para captação de iluminação de áreas de uso comum. 

Foto: Acervo Particular
Shopping Boulevard - Belo Horizonte

A iluminação natural para ser bem aproveitada deve ser sempre indireta e a iluminação zenital nem sempre permite essa característica em todas as horas do dia. 

Foto: Pinterest 
Edifício Oscar Niemeyer - Belo Horizonte - MG
Arquiteto: Oscar Niemeyer - 1954

O brisesoleil, brise ou quebra-luz foi, ao lado do cobogó, um elemento muito utilizado pela arquitetura moderna brasileira para minimizar os impactos do sol nos ambientes internos. 

Foto: Casa Abril

Tal como as bandejas de luz, ele é utilizado para impedir a incidência direta do sol para o interior da edificação, possibilitando assim ausência de ofuscamento e diminuição do calor.
São mais eficientes se usados externamente á fachada, pois diminuem a condução de calor para o interior. 
O brises podem ser fabricados em concreto, metal, madeira. 

Foto: Portal O Globo 
Palácio Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - RJ 
Arquitetos: Oscar Neimeyer  Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reydi - 1943

Sua posição, se vertical ou horizontal, vai depender da relação de cada uma das fachadas com a posição do sol ao longo do dia.
Considerando a posição solar aqui no Brasil, pode-se dizer o seguinte: 

Imagem: Vitruvius

As fachadas direcionadas á Norte, ou seja, as que recebem o sol ao longo de todo o dia, os brises são instalados horizontalmente. 
As fachadas á Leste, que recebem o sol da manhã, e as fachadas voltadas á Oeste que recebem o sol da tarde, os brises são instalados verticalmente.
As fachadas voltadas para o Sul têm pouca incidência solar e neste caso o uso do brise é somente estético.
Os brises podem ser articulados ou fixos. 
O tipo articulado é mais eficiente, pois é possível movimentá-lo de acordo com a necessidade, ou com a vontade de ter mais ou menos incidência solar.

Foto: AECWeb

Já com os brises fixos isso não acontece, exigindo assim que os estudos sobre o percurso do sol seja feito cuidadosamente para garantir que a distância entre eles permita a entrada de sol exata, nem mais nem menos.

A bandeja ou prateleira de luz é uma técnica utilizada para garantir um maior aproveitamento da luz natural e para redução da incidência solar no interior dos ambientes, pode ser usada juntamente com o brise em alguns casos.

Foto: Abrava

Sua função é refletir a luz para a laje de forro interna da construção aumentando seu alcance de iluminação.

As fachadas em que funciona de forma mais eficiente são as voltadas á Norte. 

Com essa técnica a luz solar que entra é mais homogênea e produz uma iluminação com maior qualidade e que não causa ofuscamento.


Sua função é refletir a luz para a laje de forro interna da construção aumentando seu alcance de iluminação.
As fachadas em que funciona de forma mais eficiente são as voltadas á Norte. 

Com essa técnica a luz solar que entra é mais homogênea e produz uma iluminação com maior qualidade e que não causa ofuscamento.

Foto: Viridis
Biblioteca Pública Oregon - EUA

Para que essa técnica funcione bem a parede e o teto devem ser em cores claras para que reflitam a maior quantidade de luz.

Para usar todo o potencial que a técnica oferece é preciso que seu dimensionamento seja feito corretamente, assim é necessário consultar um especialista no assunto.

Foto: Casa Abril 
Arquiteto: Paulo Bruna 

É importante salientar que a iluminação natural é de extrema importância para a nossa saúde, bem-estar e produtividade, pois ativa as funções fisiológicas influenciando positivamente no nosso ciclo biológico.

Aproveitar a iluminação natural de forma adequada é garantia de economia de energia, porém esta iluminação deve ser cuidadosamente planejada, pois necessita da avaliação do clima local, percurso do sol entre outros critérios de interferência.

Foto: AEAJS

Se você vai construir ou reformar um profissional que tenha essas informações será de fundamental  importância para ajudá-lo a ter todo o potencial desse bem natural que é de graça.

Quer saber mais á respeito, veja essa matéria do site ArchDaily Brasil - Clarabóias de barro - iluminação  natural a partir de materiais reutilizados.


Fonte:



7 comentários:

  1. Oi Elyzia, parabéns pelo site! Eu gosto muito de passear por aqui, ele é muito organizado e sempre traz uma matéria que me interessa. Agora mesmo, estou pensando no aproveitamento da luz natural na minha casa, para a economia de energia e também para nosso bem estar. A um tempo atrás eu coloquei um forro de madeira na minha sala de jantar, ficou lindo, mas senti que escureceu o ambiente. Ainda quero abrir um vão neste forro, saindo para o telhado, de forma a receber a luz do dia.

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  2. Oi, Lilian! Obrigada! É muito bom saber que o meu trabalho está não só ajudando as pessoas a entender e apreciar a arquitetura como também sendo uma "aventura agradável" pela internet...

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  3. Olá Elyza, sou estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB em Campo Grande, MS e estou cursando o 3° semestre e estudando Conforto Ambiental. Já tivemos essa matéria sobre posição solar e construir a fachada, ou mesmo ambientes,de acordo com a posição do sol. Achei muito interessante essas dicas suas sobre iluminação zenital e natural. Publica outras dicas interessantes que eu com certeza irei pegar algumas, hehe... Bjão e sucesso.

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  4. MUITO BOM, IMPORTANTE ARTIGO.

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  5. Muito bom seu post! Estou fazendo um projeto pra faculdade e os conceitos ficaram mega claros. Obrigado por compartilhar o conteúdo! Abraços.

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    1. Oi, Bruno!
      Que bom que gostou! Caso tenha algum tema para sugerir entre em contato.
      Espero que seu trabalho tenha recebido nota máxima! 😉
      Um grande abraço!

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