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Arquitetura sustentável? Construa com bambu

Elyzia Rodrigues | 14.4.15 | | | | |
Estamos vivendo um momento da nossa história em que muitas coisas precisam ser repensadas...
E na arquitetura isso não é diferente.
Construir de forma mais sustentável e responsável é uma exigência mais que urgente.

Foto: Pinterest
Aeroporto Internacional de Barajas - Madri - Espanha
Arquitetura: Richard Rogers/Ivan Harbour/Estudio Lamela 2006

Novas perguntas estão sendo feitas e novas respostas precisam ser encontradas, algumas delas são:
Quais são as opções de materiais que podemos usar na construção civil, quais materiais provocam menores impactos no meio ambiente, quais os materiais com baixo custo de produção e também maior produtividade em curto prazo? 

Encontrar essas respostas pode ser muito mais simples do que a gente imagina... Mas também, pode significar um longo caminho a percorrer. E como todo longo caminho, vamos começar já!

Foto: Mas Madera

O bambu é uma planta da família das Gramineae, estima-se que existam cerca de 1300 espécies diferentes no mundo, os bambus são plantas que se habituam em diversas condições climáticas e topográficas, podemos encontrá-los tanto em climas tropicais como temperados e também no nível do mar ou a mais de 4000 metros de altitude.

Para muitos é considerado a matéria-prima do milênio, por ser mais sustentável em relação á madeira de reflorestamento e ás espécies nativas, é auto-renovável e de crescimento rápido, além da generosidade de comprimento garantindo mais espaço e maior altura. Outro fator importante é que sua emissão de carbono é zero.

Foto: Painel lateral Hotel
Arquitetura: Kengo Kuma

Em muitos países orientais como China e Japão, há milhares de anos o bambu dá forma a casas, templos e vários outras tipologias de construção, aparecendo tanto na estrutura como na vedação, além de vários outros materiais de uso doméstico, que vão desde os hashis (aqueles "pauzinhos" que usamos em restaurantes japoneses) até móveis. 

Foto: Hiroyuki Oki - ArchDayli
Restaurante Vietnã
Arquitetura: Vo Trong Nghia -2010


Nessas regiões o bambu é considerado "ouro verde", as pesquisas e técnicas construtivas já são bastante desenvolvidas, assim como a produção em escala industrial e em consequência seu custo-benefício já se encontra em patamar vantajoso.


Foto: Li Xiaodo - Mistura Urbana
Escola/Ponte
Arquitetura: Li Xiaodo

Aqui no Brasil, o uso do bambu é ainda bastante restrito, sendo seu mais comum na indústria de alimentos, papel e química. 

Na construção civil, essa situação se deve ao preconceito em relação ao material, considerado por muitos como um material de segunda categoria, além disso, há pouco investimento em pesquisa e nenhum estímulo á produção em larga escala.

O bambu é mais comum em projetos paisagísticos, como vedação de pergolados, jardins verticais, em construções temporárias ou em ambientes mais rústicos.

Foto: Hotel do Frade - Angra dos Reis - RJ
Arquitetura: Simon Velez

Na Colômbia, Equador e Peru muitos arquitetos já são detentores de técnicas construtivas mais desenvolvidas, o mercado desses países já está mais estabelecido por isso seu custo é bem menor, além de serem adaptáveis, flexíveis, duráveis e resistentes a terremotos, o que torna a escolha pelo bambu material bastante vantajosa, ou seja, ele uma importante opção no mercado.

Foto: Carolina Zuluaga - Flick
Casa Guadua Ruiz - Colômbia
Arquiteura: Zuarq Arquitectos

Alemanha, França e Espanha também já fazem uso do bambu em muitas construções em que podem tirar vantagem de toda a versatilidade desse material, embora na Europa não haja reservas de plantações.


 Foto: Empresas Busel
Estacionamento Leipzig - Alemanha - 2004
Arquitetura: HPP Hentrich - Petschnigg & Partner KG


Foto: Monica Donati
França

Em 2005 pesquisas realizadas revelaram que aqui no Brasil,  mais precisamente o estado do Acre, possui a maior reserva de bambu do planeta, além de grande quantidade na região da Foz do Iguaçu e Pantanal.


Foto: Planeta Sustentável
Centro Max Fetter - Pardinho - SP
Arquitetura: Leiko Motomura

Acredita-se que existam aqui cerca de 400 espécies diferentes de bambu, porém nem todas são apropriadas para a construção.

Foto: Planeta Sustentável
Casa - SP
Arquitetura: Marcio Kogan

Estimulados pelos exemplos bem sucedidos, principalmente de Simon Velez, arquiteto colombiano especialista na construção com bambuvários grupos de diferentes entidades já deram início ás pesquisas de desenvolvimento do uso desse material e de acordo com elas, as espécies de bambu mais adequadas ao uso estrutural de construções são os do gênero Guadua (denominado popularmente de Bambu Taquaruçu), Dendrocalamus (denominado Bambu Gigante ou Bambu Balde) e Phyllostachys pubescens (Bambu Mosso), por apresentarem maior resistência mecânica á compressão, tração e flexão.


Foto: Guaduabamboo

VANTAGENS

Produtividade:
- Crescimento rápido, a planta brota  novamente após após o corte, cerca de 23cm por dia em condições adequadas. 
- Plantas novas atingem18m de altura em 60 dias, em 3 anos está pronta para colheita.

Versatilidade de usos:
- Pode ser aplicado como piso, forro, vigas, painéis, revestimentos, elementos estruturais.


Foto: Campuzano - Archdayli
Instituto Educacional Samaria - Colômbia
Arquitetura: Campuzano Arquitectos - 2012

Resistência:
-  Alta resistência mecânica á compressão, tração e flexão.
- Concentra sua resistência fora o eixo central.

Durabilidade:
- Quando colhido na época certa e tratado corretamente o bambu apresenta durabilidade superior a 25 anos.

Para potencializar as vantagens do bambu serão exigidas o uso de algumas técnicas, pois ele apresenta baixa durabilidade natural por causa da presença do amido, que atrai fungos. 

Para prolongar sua vida útil do bambu deve-se: Observar a idade para o corte, fazer a degradação do amido, aplicar tratamento sob pressão.

Foto: Rastros de Arquitectura

DESVANTAGENS

Mesmo com a criação da Lei 12.484/2011 que trata da Política de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambuou a descoberta de grandes reservas, ainda há muito o que avançar.

- Ainda não há um mercado estabelecido para o consumo do bambugrandes plantações precisam estar próximas aos fornecedores e ás empresas de processamento e estas próximas aos grandes centros de consumo .
- É necessário que normas técnicas sejam aprovadas por entidades reguladoras
- É necessário que haja mais incentivo á pesquisa 
- É necessário que mais linhas de crédito sejam dadas pelo governo
- Escassez de mão-de-obra especializada

Por enquanto, apesar de toda as vantagens, o bambu é ainda marginalizado, é um material alternativo e está longe de ser uma opção real de consumo para as construções civis.


Foto: Pensamento Verde
Igreja - Colômbia
Arquitetura: Simon Velez


Foto: Noticias Arquitectura
Casa Convento - Equador
Arquitetura: Enrico Mora Alvarado




Fonte: 


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